14 outubro 2008

A insustentável leveza da moeda


Esta crise trouxe à luz do dia uma realidade assustadora com que (muito) poucos se preocuparam até agora (eu inclusive, claro). As actuais medidas de emergência irão aplacar o pânico no mundo financeiro - com todas as vantagens que isso traz - mas não resolvem o problema. Antes pelo contrário. Estas medidas parecem ignorar que há um desequilíbrio a ser corrigido. O mercado fá-lo-ia à bruta. Os Estados consegui-lo-ão sequer resolver? Findos os trovões, vão passar a achar que a tempestade já lá vai e manter o dinheiro consumo artificialmente barato e abundante? Ao contrário do que sugere o sentimento que já se vai sentindo por aí, nem os Estados nem os Bancos Centrais são omnipotentes e também eles podem sucumbir... impotentes. Se adiarem a resolução do verdadeiro problema este poderá ser too big to be solved.

4 Commets:

Blogger alf said...

Interesante gráfico... embora, é claro, seja necessário alguma calma para o ler rsrs.. que os gráficos valem o que valem!

Temos pois duas linhas sobrepostas mas com escalas muito diferentes. A Dívida passou de 60% para 130% do PIB, enquanto que as economias passaram de 12% para coisa nenhuma - não admira, são gastas a pagar os juros da dívida...


E será este o «verdadeiro problema»? Ou apenas um problema menor que está a esconder o «verdadeiro problema»? Por exemplo, o problema de a bolsa não passar de um sistema de pirâmide que estoira sempre que o influxo de dinheiro diminuir? Secaram a «fonte», estoirou a bolsa... e vai voltar a estoirar em breve se não lhe alterarem as regras... penso eu de que...

2:17 da tarde  
Blogger Tarzan said...

«Por exemplo, o problema de a bolsa não passar de um sistema de pirâmide»

Os esquemas de pirâmide não têm a ver com bolsa. O que não invalida que muita gente entre na bolsa pelos mesmos motivos que entraria em esquemas de pirâmide: ganhar dinheiro fácil.

A bolsa é simplesmente um termómetro do que se passa na economia "real" embora focada no curto e médio prazo.

O que se passa actualmente é precisamente isso. Perante os constrangimentos no crédito, os investidores anteciparam, e bem, que o consumo iria cair pois ele encontra-se muito dependente da disponibilidade de dinheiro emprestado pelos bancos. Mais grave ainda, antecipou-se que a falta de dinheiro para emprestar conduziria igualmente a uma redução no investimento - bem mais crítico para a criação de riqueza e aumento do valor das empresas.
Perante as más perspectivas e más notícias, os investidores aperceberam-se que o valor dos seus títulos iria descer e tentaram vender assim que puderam. Como agiram todos ao mesmo tempo, gerou-se o pânico.

Com as "boas" notícias as bolsas corrigiram. Se entretanto não houver sinais de problemas graves no sistema bancário e na economia real, os títulos recuperarão (muito ou pouco, não sei). Quando houver informação suficiente acerca do estado da economia os investidores conseguirão avaliar melhor quanto é que as empresas em que investiram valem realmente.

Não é um sistema perfeito, mas é o melhor que existe para avaliar correctamente as empresas, para tomar o pulso da economia e para optimizar decisões de investimento.

5:35 da tarde  
Blogger alf said...

Em teoria seria assim. Os investidores venderiam as acções porque pensariam que a distribuição de dividendos não iria rentabilizar o valor das acções.

Mas na prática não é assim; o valor das acções é claramente especulativo. Assenta na expectativa de que alguém as queira comprar por um preço superior. Sendo assim, ganhar dinheiro na bolsa depende da capacidade de gerir expectativas. Como num jogo de poker. Os bons jogadores fazem esse jogo em cada sessão da bolsa, comprando e vendendo acções do mesmo título no mesmo dia em movimentos para gerir expectativas.

Não foi a perspectiva de as empresas venderem menos que fez cair as bolsas, foi a perspectiva de não haver dinheiro a entrar para alimentar as expectativas bolsistas. Foi um estoiro da bolha especulativa das acções.

... penso eu de que....

2:53 da manhã  
Blogger Tarzan said...

«Assenta na expectativa de que alguém as queira comprar por um preço superior.»

Como qualquer investimento, na bolsa ou não. Só é especulativo se não houver fundamento para a valorização de tal investimento.

Quem trabalha todos os dias na bolsa, para além de especular tem outra função muito importante - dessa ninguém fala - que é fazer arbitragem. Quem gere carteiras assimila informação suficiente para saber o intervalo de preço de cada um dos títulos que entra na carteira. Se o valor de mercado excede ou fica abaixo desse intervalo, o gestor da carteira vende ou compra os títulos que acredita estar mal avaliado pelo mercado. Se tiver razão (se o médio prazo lhe der razão) vai ganhar dinheiro à custa de quem sobre/subvalorizou o verdadeiro valor do título.

Quem brinca na bolsa (especula) enfrenta um risco maior do que quem a utiliza para valorizar eficientemente os seus investimentos.


«Não foi a perspectiva de as empresas venderem menos que fez cair as bolsas»

Não concordo. Se assim fosse apenas as acções dos bancos desceriam (como aconteceu com as .com em 2001). Há sinais de que a economia vai abrandar porque os CONSUMIDORES e EMPRESAS NÂO FINANCEIRAS dependiam do crédito para manter o actual nível de consumo. Com menos dinheiro para gastar e para investir, as expectativas de crise crescem. Ford, Chrysler e GM equacionam falências - a procura de automóveis caiu 30(!) nos EUA.

9:52 da manhã  

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