13 agosto 2008

Volatilidades III

Se analisarmos as taxas de variação anuais com base nos preços médios semanais da gasolina e do Brent os resultados são estes (em 2008 a amostra disponível é Janeiro a Julho):
O padrão "média móvel" parece manter-se.

Taxa crescimento média 2004-2008
Brent: 28,1%
Gasolina: 8,4%

Agradeço ao alf pelas sugestões.

4 Commets:

Blogger alf said...

Tarzan, olha que eu ainda dou mais umas sugestões ... é que «as estatísticas valem o que valem» e eu não sou rapaz para ir atrás de médias móveis...

O que interessa, creio eu, é comparar variação do preço em euros do brent entre 2004 e 2008 e a variação do preço da gasolina antes dos impostos no mesmo período; como os preços variam, podemos escolher como termos de comparação a média em trimestres homólogos de 2004 e 2008 ou podemos analisar as médias deslizantes

Mas há que tirar o peso dos impostos. Ora acontece que o ISP não é uma «taxa», é um valor fixo, fixado anualmente, por litro.

Segundo

http://alutablog.blogs.sapo.pt/39943.html

esse valor correspondia a 50,7% do preço da gasolina 95 em 2004 e 41,6% em 2008.

Corrigindo com a variação fiscal, já a variação da gasolina antes de impostos ficará muito mais próxima da variação do brent.

Mas isso não é tudo, porque o preço do brent é só uma pequena parcela do preço da gasolina - os custos da refinação, por exemplo, não têm que acompanhar a subida percentual do brent.

Portanto, eu começaria por fazer a seguinte análise: admitindo que 1 litro de brent gera 1 litro de combustivel, calculava o custo do brent em cada litro de gasolina - actualmente deve ser qq coisa como 50 centimos, assim a olho..e em 2004 seria uns 30 centimos a menos..

Portanto, o preço base da gasolina antes de impostos deveria ter subido.. uns 30 centimos, que terá sido o que subiu a matéria prima que o incorpora.

Claro que isto é um extremo da análise; porque depois a subida percentual do preço final da gasolina tb se vai reflectir nos custos da exploração e portanto não será 30 centimos que a gasolina deveria subir para reflectir a subida do brent - talvez uns 40 centimos a olho..portanto o preço base seria hoje de uns 60 centimos

Agora é comparar com o preço base actual com esses 60 centimos e fazer o mesmo em 2004; daí concluiremos qt variou a margem das petrolíferas.

Claro que os números que eu aqui apresento são a olho, nem sei qt vale ao certo o galão nem o preço do brent em euros. Mas suponho que o resultado deve dar equilibrado, porque não é aqui que as petrolíferas vão buscar os seus lucros, estas contas tb os governos sabem fazer.

Elas vão buscar os seus lucros é no preço do brent, porque elas serão os mais fortes especuladores deste mercado. Quem mais tem poder para controlar esta variação de preços?

2:15 da manhã  
Blogger alf said...

Mas confirmaste o teu ponto: a ideia de que as petrolíferas usam as subidas do brent para subir artificialmente o preço da gasolina não se verifica;

a taxa de crescimento médio da gasolina ser de cerca de 1/3 da do brent deve reflectir o peso da matéria prima na formação do preço final, pelo que, «a olho», não deve haver especulação aqui.

Agora outra questão: a actual descida do brent terá a ver com as próximas eleição norteamericanas? Assim, o candidato republicano deverá ganhar...

2:17 da tarde  
Blogger Tarzan said...

Caro alf,

de facto o meu ponto era provar que o preço no consumidor acompanha as variações no crude. A análise das variações também pode ser interessante. Assim que tiver oportunidade publico-a aqui.

Nem de propósito, encontrei, por acaso, um artigo publicado numa newsletter da autoridade da concorrência que faz uma análise comparativa do comportamento dos preços dos combustíveis vs crude em diversos países da Europa. As conclusões vão de encontro ao que já disse aqui: o preço dos combustíveis líquidos em Portugal leva em média 4 semanas a responder a alterações no preço do crude. Conclui-se ainda que no resto da Europa o tempo de ajustamento é, em média, de 2 semanas. Conclui-se também que os preços praticados em Portugal, apesar de superiores aos de Espanha, são mais baixos que a média da EU. Mais, e este dado pode interessar-lhe, o preço à saída da refinaria (ou seja, antes de impostos) em Portugal é superior à média da UE. Resta saber o que acontece à oscilação dos preços antes de impostos.


Ler aqui,

http://www.concorrencia.pt/Download/Newsletter2005_09.pdf

3:57 da tarde  
Blogger Tarzan said...

Sobre a questão do preço antes de imposto, veja-se este documento da Autoridade da Concorrência.

http://www.concorrencia.pt/download/AdC_Relat%C3%B3rio_Petrol%C3%ADferas__02-06-2008.pdf

Na página 27 tem dois gráficos muito elucidativos. Atenção que a série identificada como PMVP (preço médio de venda ao público) é antes de impostos.

Daqui retira-se que:
- o preço à saída da refinaria está colado aos preços praticados no mercado internacional de combustíveis (Roterdão)
- A volatilidade do preço da gasolina é bastante superior à do gasóleo
- A médio e longo prazo os preços dos combustíveis acompanham a evolução do preço do crude
- O gráfico referente às gasolinas realça o facto de o preço de venda ao público não estar ligado directamente ao preço à saída da refinaria. Deduz-se que há uma oscilação nas margens dos retalhistas e transportadores em virtude do PMVP não acompanhar directamente o preço à saída da refinaria.

Mais à frente pode ver-se que o diferencial entre o PMVP e o preço à saída da refinaria se manteve em torno dos 10cent/l entre 2003 e 2006. A partir de 2007 passou para 12cent/l.

Um relatório muito interessante de leitura muito recomendada para quem queira conhecer o sector.

10:53 da manhã  

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