01 outubro 2008

Homo-dialética


Na actual situação de turbulência financeira, já clamam os cruzados da moral anti-capitalista pela submissão do Homo economicus ao Homo politicus. "Sujeição do poder económico ao poder democrático", dizem eles. Percebo que, na ânsia de controlo de todos os aspectos da vida social e individual, a existência de um Homo Economicus que não pode ser deposto em eleições ou por qualquer outro "dispositivo" democrático seja angustiante. Acontece que o Homo Economicus é um gajo populista enquanto que o Homo Politicus é um elitista. Já sabem que eu sou um populista.

Ambos têm defeitos morais: o Homo Economicus vive na ânsia do lucro, o Homo Politicus vive na ânsia do poder. Ambos anseiam ser monopolistas - um dos lucros outro do poder (económico incluído). Nessa ânsia, ambos degladiam-se para se controlarem mutuamente.

Há no entanto umas diferenças assinaláveis:
a) O Homo Politicus tem de competir de 4 em 4 anos (a não ser que a maioria seja fraca). O Homo Economicus compete todos os dias;
b) O Homo Economicus tem de arranjar dinheiro do seu bolso ou convencer outros a emprestarem-lho e por isso tem de ter muito cuidado onde gasta o dinheiro. O Homo Politicus gasta dinheiro que não é seu e que é extorquido aos contribuintes (também há a Dívida Pública mas essa não é mais do quem um imposto adiado).
c) O Homo Economicus tende a ser responsabilizado pelas suas más decisões económicas (o Homo Politicus adora gritar quando isto não acontece e convencer a população que o Homo Economicus é um aldrabão que se "enche" sempre, mesmo quando as coisas correm mal). O Homo Politicus será, no máximo, responsabilizado politicamente pelas suas más decisões económicas.

Em ambos os casos, as más decisões podem trazer consequências nefastas a terceiros que não tiveram qualquer responsabilidade nelas.

3 Commets:

Blogger alf said...

Os conceitos estão muito bem, a definição depois é que denota que isto foi escrito por Homo Economicus rsrsrs

O problema não está na escolha entre um e outro - está simplesmente no facto de estarmos a usar uma teoria económica de outras eras. Nunca terá ocorrido na cabeça um economista que as teorias económicas podem ser boas para uma determinada situação e não serem boas para a situação seguinte?

E o pior é que, incapazes de perceber que a teoria económica que aprenderam já era, insistem em procurar «culpados»

Sorte tive eu que quando era muito jovem li alguns livros holandeses sobre economia e gestão... não é por acaso que os povos do norte da europa vão tão à frente mesmo sem recursos naturais.

5:48 da tarde  
Blogger Tarzan said...

Concordo com o seu comentário.

«Nunca terá ocorrido na cabeça um economista que as teorias económicas podem ser boas para uma determinada situação e não serem boas para a situação seguinte?»
Por isso é que há crises económicas, por isso é que os Governos e autoridades são apanhados desprevenidos. Mas nem por isso os mesmos tipos que não souberam antecipar problemas clamam por mais poder para que não volte a acontecer.

11:56 da tarde  
Blogger Tarzan said...

Correcção:
"deixam de clamar" em vez de "clamam"

11:57 da tarde  

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