19 março 2008

O Sr. Jardim

(Ilustração: Pitecos)

Nesta época em que se celebram os 30 anos de Alberto João Jardim à frente dos destinos da Madeira, eis que blogoesfera e imprensa se enchem de artigos pouco abonatórios em relação ao enfant térrible da nossa vida política. Pois eu não alinho nessa. Eu prefiro ver as coisas pelo seu lado positivo. Se há coisa que não podemos acusar o Sr.Jardim é de ser um gajo de falinhas mansas, rodeios ou subserviência ao politicamente correcto. O Sr. Jardim sabe o que quer, ao que vai, como vai e não tem pudores em dizer o que pensa e da maneira como bem entende. O comentador tuga não suporta uma personalidade e esta frontalidade, ainda por cima vinda da direita. Não tanto pelo conteúdo mas mais pela forma. Recordo que há uns anos o Sr. Jardim protagonizou uma das suas célebres polémicas dizendo que não queria cá chineses - referia-se à presença de lojas e produtos chineses. Deu um sururu desgraçado e habitual nestes casos. Curioso que na mesma semana o dirigente do PC, Jerónimo de Sousa, tinha declarado, à porta de uma fábrica de têxteis, a sua preocupação em relação à ameaça da China o que toca à manutenção dos postos de trabalho de muitos portugueses. O conteúdo das duas mensagens era basicamente o mesmo mas quanto às declarações de Jerónimo de Sousa não houve o mais ligeiro comentário. Lá está! A forma é muito importante, o que denuncia que o "comentarismo" está muito sujeito às normas do politicamente correcto.

Eu acho muito importante o papel do Sr. Jardim no nosso panorama. Ele é apenas um político português em versão transparente. Se se quiser ver como um político funciona basta olhar para o Sr. Jardim. Está lá tudo. Transparente. Se não se gosta do Sr. Jardim não se deveria gostar de qualquer político português com poder ou aspiração ao poder.

3 Commets:

Blogger Range-o-Dente said...

"Curioso que na mesma semana o dirigente do PC, Jerónimo de Sousa, tinha declarado, à porta de uma fábrica de têxteis, a sua preocupação em relação à ameaça da China o que toca à manutenção dos postos de trabalho de muitos portugueses."

Dito dessa forma até parece que Jerónimo é de esquerda.

Ele diz que é, mas apenas e enquanto defensor apenas dos 'seus'.

Jerónimo é um gajo simpático que tem por papel defender uma tribo como muitas outras.

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12:12 da tarde  
Blogger alf said...

"Ele é apenas um político português em versão transparente". Bem visto eheh.. e é exactamente esse o seu pecado...e o seu mérito! Então e a hipocrisia social? Onde vamos nós parar se se violam as leis da hipocrisia?

4:32 da manhã  
Anonymous Rodinsky said...

Nunca tinha pensado nisso, mas acho que tens toda a razao!!
A funcao do politico é governar bem. E parece-me (sem nunca lá ter estado) que a Madeira se transformou muito para melhor nos ultimos 30 anos. Defice democrático? O que quiserem... mas a primeira funcao do politico é governar, e isso o homem faz bem. O que me incomoda em cuba nao é que o Fidel esteja lá à 30 anos - é que cuba está cada vez pior.
Do panorama governativo portugues, so encontro 2 que se podem gabar de ter governado bem: O Jardim e o Pinto da Costa. Será apenas coincidência que estes 2 nao teem papas na lingua?

R

8:44 da tarde  

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